A eleição presidencial desse ano poderia facilmente ser o enredo de algum filme. A já começar pela morte do presidenciável Eduardo Campos. Marina, sua vice e por conseguinte candidata após a tragédia começou liderando as pesquisas assim que seu nome foi lançado. Não se sabe até onde pelo fato da comoção, ou pelo mote da nova política. Por outro lado a polarização PT-PSDB parecia ameaçada. Aécio amargurava o 3° lugar, enquanto tentava lançar suas propostas e associar o nome de Marina ao PT. Já Dilma não poupou Marina, muito menos Lula pegou leve com sua ex-companheira. A propaganda do PT foi muito bem feita no sentido de destroçar ('desconstruir' foi um eufemismo) Marina. O exemplo mais claro que tivemos foi o da autonomia do Banco Central, que segundo Dilma, faria com os banqueiros tomassem conta e a comida sumisse das mesas das famílias. Infelizmente muita gente não tem informação suficiente para discernir certas coisas. E pelo visto esse golpe pegou em cheio. Sendo assim, a 15 dias do pleito, Marina começou a despencar nas pesquisas, enquanto Dilma subia e Aecio parecia crescer muito pouco. Faltando uma semana, e depois de duros debates, as pesquisas já davam empate técnico entre Aécio e Marina.
O último debate do 1° turno já era uma prévia do que viria a ser o 2°. Dilma parecia já não se importar tanto assim com Marina e visava mais Aécio pro confronto direto. A recíproca era verdadeira. Marina já se mostrava abatida, pois mesmo com os debates não havia tempo suficiente para apresentar bem as propostas. A propaganda gratuita dava menos de 2 minutos a ela enquanto daria cerca de 10 a Dilma.
No fim, a campanha de Aécio ganhou gás e superou bastante os índices das principais pesquisas. Marina aumentou um pouco o percentual de votos que teve em 2010. Ela obteve maioria no Acre e Pernambuco, além de expressiva votação no DF. Aécio, como esperado, teve mais votos no Centro Oeste e Sul, e foi esmagador em SP. Já Dilma veio dominando Norte e Nordeste, com ressalvas a Rondônia e Roraima, junto dos territórios marineiros.
O 2° turno foi ainda pior no sentido dos ataques, e os debates apenas serviram pra acirrar ainda mais os ânimos. A fábrica de boatos e jogo sujo não pararia até o dia final. Os de ordem pessoal, imagino que todos já ouviram: Aécio cheira cocaína, bate na mulher... Nas redes sociais, os MAVs (Militância em Ambiente Virtual ou algo assim) agiram disseminando outros boatos, inclusive se passando por eleitores de Aécio e fazendo comentários racistas. Isso sem contar a distribuição de jornais e panfletos nas ruas, e mensagens por celular, a maioria informando que quem não votasse em Dilma, perderia a bolsa família.
No dia da eleição do 2° turno eu estava de plantão, então fui votar logo cedo. Por coincidência encontrei dois colegas de trabalho, mas não peguei fila na minha seção. Os resultados do exterior saíram logo de manhã e davam margem ampla a Aécio, o que parecia um bom sinal. Mas no começo da noite fomos confrontados com o resultado final, cuja apuração só foi liberada assim que acabou a votação no Acre. Eu estava na casa de minha tia, com minha mãe e namorada. A vitória que parecia tão perto não veio. Enquanto se sentia o desapontamento geral por todos aqueles que queriam mudança, aos que votaram em Dilma, só pude constatar felicidade nos militantes e nos "inocentes".
Que 2015 traga alguma esperança...
domingo, 4 de janeiro de 2015
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